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A doação de órgãos não tem fronteiras. Hajah Alhanna, 62 anos, é de Damasco, capital da Síria, no Oriente Médio. Mora no Brasil há seis anos, em Caldas Novas-GO, com uma parte da sua família, mas não fala português.  Ela acabou de se submeter a um transplante hepático no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal.

“Tive mais uma oportunidade de vida nesse País, agora com um fígado verde amarelo. Minha vontade de viver é muito grande”, disse a paciente feliz, em fase de recuperação. 

Quem fazia a tradução era a acompanhante, sua irmã, Rima Alhanna, que fez questão de agradecer a equipe do hospital e de ressaltar o trabalho de excelência, realizado com comprometimento e humanização. 

“Amo os brasileiros e todos aqui do ICDF são como uma família para nós. Esse hospital foi muito importante para nós porque fez o bem, salvou a vida da minha irmã e nos deu amor. Precisávamos muito disso”, agradeceu Rima.

A história de Hajah não é tão incomum, pois era um caso com indicação para transplante hepático, devido ao acometimento do fígado pelo vírus da hepatite B. Entretanto, as dificuldades impostas por ser estrangeira, pelo idioma e também por morar em um local onde não tinha serviço especializado para tratar da sua doença, acabaram tornando a situação ainda mais difícil para a família síria.

De acordo com a irmã de Hajah, em 2017, dois anos depois de chegarem ao Brasil, foi descoberta a hepatite e, a partir de então, foram quatro anos de acompanhamento com a equipe do gastroenterologista Vinícius Machado, que a encaminhou para o ICDF.

Uma vez regulada no ICDF pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, por ela ser estrangeira, a equipe de transplante do Hospital teve que pedir autorização para a realização da cirurgia para a Câmara Técnica Nacional de Transplantes, comprovando que a paciente não migrou para o País por esse motivo.

Só depois de apresentar toda a documentação, o transplante foi autorizado, sendo realizado no dia 01 de agosto, pelo diretor médico e coordenador do programa de transplante hepático no ICDF, Dr. André Watanabe, e sua equipe.

Todas as dificuldades enfrentadas não tiraram o ânimo e a fé de Hajah e de Rima. As irmãs, ainda estão no hospital, aguardando a recuperação e a alta. Extremamente religiosas,  são católicas ortodoxas e fazem questão de contar todas as dificuldades que viveram no seu País, em virtude da guerra civil que já dura dez anos, e também no Brasil, em decorrência da saga da doença de Hajah. Entretanto, ambas mantêm o sorriso largo, as palavras positivas e de gratidão e, principalmente, a esperança.

Com essas atitudes, paciente transplantada e sua acompanhante, conquistaram a todos do ICDF. A psicóloga Anabel Saboia, que integra a equipe multidisciplinar do transplante, soube que as irmãs estavam sem a Bíblia em seu idioma e, rapidamente, providenciou a impressão e encadernação de salmos em árabe.

“Pequenos gestos, significam muito em certos momentos. A História de vida delas e sua amorosidade nos encantaram. Tudo que pudermos fazer para tornar ainda melhor a estadia delas aqui e a recuperação da Hajah, faremos”, disse a psicóloga, ao lado das irmãs.