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A paciente recém transplantada vence batalha contra rejeição e novo coronavírus

Nicoly Stefany Nunes de Lima é uma jovem de 18 anos que desde 2 anos de idade apresentava sintomas de alergia severos, buscou auxilio médico e realizou vários exames e tratamentos, mas não descobria o que causava as alergias, que ficavam cada vez mais severas.

Somente aos 14 anos descobriu um vírus (HTLV1) no sangue, ao mesmo tempo em que o sistema de defesa do seu corpo (os antícorpos) começava a atacar o rim da jovem, ao invés de uma infecção.  “No dia do meu aniversário de 15 anos descobri o problema renal, fiquei internada por 1 mês e 22 dias”, contou a jovem lembrando do inicio da história de sessões de hemodiálise, trocas de cateter e tratamento renal.  

A esperança para o fim desse tratamento era um transplante renal, o que aconteceu no dia 10 de março desse ano. No dia seguinte a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia do Covid 19, provocava pelo novo coronavírus (Sars-cov2).

Mas o que a pandemia do coronavírus tem a ver com o transplante renal da Nicoly?

Tudo, a jovem tem hoje tem uma história de superação e vitória contra o novo coronavirus e uma batalha contra a rejeição do órgão recém-transplantado.  “A gente desanima. Mas não pode perder a esperança nunca” é com essa frase que Nicoly continuou contando como foram esses dias de luta e vitória pela vida.

Os pacientes transplantados são imunodeprimidos, ou seja, são pacientes cujos mecanismos normais de defesa contra infecções estão comprometidos para evitar uma rejeição ao órgão transplantando. Num enfrentamento de uma pandemia de um vírus novo, como é o caso do novo coronávirus, os pacientes transplantados pertencem ao grupo de risco e devem seguir todas as orientações para evitar o contágio.

Mas voltemos a contar a história da jovem Nicoly Stefany. Após 17 dias de internação ela recebeu ata hospitalar para recuperar-se do transplante em casa. Passada uma semana, retornou para consulta (02/04) de avaliação do transplante e foi identificado que ela apresentava inicio de rejeição ao rim transplantado precisando internar novamente para tomar medicação.

A equipe que acompanhava iniciou tratamento para controle da rejeição, mas observada que ela não respondia como esperado ao tratamento e apresentava  cada vez mais sintomas gripais.

Ao realizar exame de imagem (tomografia) o laudo compatível com uma infecção gripal então a paciente foi transferida para leito de isolamento por suspeita de infecção por covid, e realizado teste de PCR SARS-COV-2 Swab (16/04/2020) com resultado positivo.

Tanto a jovem quanto a equipe médica tinham pela frente um grande desafio: por um lado o risco pela perda do novo renal com o processo de rejeição não controlado, e por outro, a infecção grave e a vida da Nicoly. A nefrologista, Dra. Helen Siqueira, médica que acompanha a paciente relatou a preocupação de toda equipe “Estávamos uma situação muito nova e desafiadora. Infecção pelo Covid19 em uma paciente que havia acabado de ter feito uso de Thymoglobulina que é uma das medicações mais diminui o sistema imune”.

Nicoly agora tinha pela frente uma batalha contra o novo coronavírus e uma batalha contra a rejeição do órgão recém-transplantado. Permaneceu internada durante duas semanas no setor de isolamento do COVID no Instituto de Cardiologia do DF (ICDF) manteve-se estável realizando hemodiálise e toda medicação necessária para o controle da rejeição.

Foi à primeira vez internada sem minha mãe, num local de isolamento. “Tinha medo de perder o rim, mas tive muita fé e rezava bastante”, contou emocionada lembrando o quanto o apoio e motivação da equipe médica foi importante nesse processo. “O vírus era muito forte, minha função renal foi diminuindo e fiquei muito cansada. Precisei de oxigênio algumas vezes. O que vivi é um verdadeiro milagre” disse emocionada ao lembrar que receber ligações e mensagens de apoio da médica Dra. Helen: “Ela foi um anjo pra mim, não me deixava desanimar e estimulava a continuar firme, pois íamos vencer juntos”.

Após os 15 dias do inicio dos sintomas respiratórios foi realizado novo teste controle de Covid19 e ainda se mantinha positivo. Porém, devido à boa evolução clínica e laboratorial da paciente, a paciente recebeu alta hospitalar e permaneceu em acompanhamento ambulatorial, com orientação de manter isolamento domiciliar de controle.

Segundo a Médica, a recuperação de Nicoly é motivo de muita comemoração e conta que a paciente está bem em casa sem restrições alimentares, bebendo bastante água e levando uma vida normal “Ela está ótima, com funcionamento normal do rim transplantado e o exame de tomografia confirmou que não ficou com sequelas pulmonares por conta do novo coronavírus”.

Agora a jovem retoma os sonhos diz que depois que quando passar o tempo exigido do tratamento pretende viajar. “Por conta da hemodiálise eu não cheguei a fazer viajem nenhuma durante esse período de 3 anos”. E conta ainda que planeja terminar os estudos, iniciar a faculdade e ingressar na carreira da Polícia Federal. “Penso em algo na área médica, científica, mas sei que tenho muito a estudar”.

A experiência de vida de Nicoly também mexeu muito com toda equipe médica, como contou Dra. Helen ao relembrar que a pandemia está nos ensinando muito sobre maior cuidado e estratégias novas para melhor assistência dos pacientes, e principalmente: “empatia e nos renovando sentimentos esquecidos como a esperança e a fé de que juntos podemos vencer as adversidades”.

 

Por Anna Virgínia Souza

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